JORNAL NOTÍCIAS POPULARES 06/02/2000

MALUCÃO LARGA A VIDA BOA PARA MORAR NA RUA
Radialista Jai Mahal saiu de casa para viver de jeito meio esquisito

"Trabalhar 8 horas por dia e ralar 5 ou mais dias por semana. Tudo pra ter casa, carro e dar conforto para família. Alguns querem um pouco mais que isto, mas o radialista e músico Luis Antonio Jai Mahal, quis menos.

Depois de ter grana para comprar seu carro e ter sua casa, o maluco resolveu largar o bem bom e morar na rua. "Não tem aquele provérbio 'que do chão não passa'? Acho que do estado de miséria em que estou também não irei passar", explica.

Desde o dia 22 de novembro do ano passado Jai Mahal está em vigília, como gosta de dizer, na Pompéia, zona oeste de São Paulo.

Jai Mahal passa o dia na rua, como se mora sse nela. À noite, volta para casa como se tivesse passado por um cansativo dia de trabalho.

É impossível não notar a curiosidade e indignação das pessoas que passam.

Com seus pertences expostos na calçada, com geladeira e sofá, o mais novo sem teto fica bem a vontade em seu novo lar. "Aqui é como se fosse meu escritório. Mas acho que as pessoas ainda não entenderam qual é a minha" confessa Mahal.

Fica difícil mesmo compreender. Em princípio, ele foi prá rua protestar contra a falta de espaço dos músicos na grande mídia (rádios, jornais e televisão). "Na rua pelo menos todos me vêem", conta. Mas depois tudo mudou... Até a proposta.

"Agora quero criar um espaço onde todos possam se expressar... Quero que Godah - que na linguagem dele, significa energia elétrica - venha pra cá. Assim os artistas poderão se apresentar", tenta explicar.

Por fim, a causa tomou rumos políticos. "Temos abaixo-assinado pra construção de ciclovias e outros pedindo para que as redes de televisão sejam obrigadas a apresentar programas de alfabetização", conta.

Mesmo estando do lado dos sem-terra, dos sem-teto e dos sem-fama, Jai Mahal tem que enfrentar seus vizinhos, os barraqueiros e taxistas da área.

"Acho ele uma pessoa bem educada, mas não consigo entende-lo. Acho ele louco", desabafa Ana Paula, 59 anos, barraqueira da região.

Bem longe de se preocupar se é ou não louco, Mahal só quer continuar sua "luta".

"Estou aprendendo muito na rua. Coisas que usarei no meu próximo trabalho. Não me importo se não me entendem", desabafa.

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